'Houve um homicídio por espancamento': perito descarta que morte de Henry Borel foi durante atendimento em hospital
29/05/2026
(Foto: Reprodução) O menino Henry Borel
Jornal Nacional/ Reprodução
O perito Luiz Carlos Leal Prestes, responsável por examinar o corpo do menino Henry Borel, de 4 anos, descartou qualquer relação entre as manobras de massagem cardíaca e a laceração encontrada no fígado da criança, apontada pela defesa como causa da morte.
"Houve um homicídio por espancamento, esse menor chegou sem vida a esse hospital. A multiplicidade de lesões em sítios diferentes fez com que, inequivocamente, se concluísse que essa criança foi agredida e por isso houve a hemorragia interna", afirmou Prestes.
Ele prestou depoimento na manhã desta sexta-feira (29), em mais um dia de julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros, acusados pela morte do menino. O julgamento ocorre no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.
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Luiz Carlos Leal Prestes afirmou ainda que as lesões foram causadas antes da morte. Ele negou a versão da defesa de que as lacerações foram causadas durante manobras cardíacas no atendimento no hospital.
“Não poderia haver hemorragia interna se não houvesse circulação. Portanto, essa laceração hepática ocorreu em vida e não tem relação com a massagem cardíaca”, declarou.
A defesa de Jairinho nega que ele tenha cometido qualquer agressão contra a criança e afirma que os ferimentos foram provocados durante as manobras cardíacas no hospital onde ele e Monique procuraram atendimento para o menino.
Caso Henry Borel: testemunhas relatam episódios de violência envolvendo Jairinho durante julgamento
O perito também descartou a possibilidade de um acidente doméstico, que chegou a ser defendida pela defesa.
"O acidente doméstico está completamente descartado. Isso é uma versão fantasiosa", destacou.
Segundo Luiz Carlos Leal Prestes, Henry Borel tinha 17 lesões externas, inclusive na cabeça.
"Essa criança sofreu durante algum tempo até sucumbir. Essa morte foi lenta, essa morte foi agônica, progressiva. Imagina uma criança de 4 anos. Qualquer arranhão a criança reclama. Com essa multiplicidade de lesões, a criança deve ter chorado e reclamado muito, porém com a hemorragia interna a criança perde a consciência", disse Prestes no depoimento.
Jairinho e Monique no banco dos réus
Reprodução/TV Globo
Além de Luiz Carlos, o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva está entre os especialistas previstos para depor neste quinto dia de julgamento. Ambos assinam pareceres técnicos que sustentam que as lesões identificadas no corpo de Henry são incompatíveis com um acidente doméstico ou com as manobras de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or.
Em análises apresentadas ao longo do processo, os especialistas também indicam que o conjunto de ferimentos é compatível com agressões físicas.
Julgamento deve ser longo
Com apenas dez testemunhas ouvidas até agora, a expectativa é de que o Tribunal do Júri ainda tenha vários dias de trabalho pela frente.
Após os depoimentos dos peritos previstos para esta sexta-feira, ainda deverão ser ouvidas outras testemunhas de acusação, entre elas Leniel Borel, pai de Henry. Em seguida, será a vez das testemunhas de defesa indicadas pelos réus.
Somente depois dessa etapa ocorrerão os interrogatórios de Jairinho e Monique e, por fim, os debates entre acusação e defesa, antes da decisão do Conselho de Sentença.
Segundo estimativa de participantes do julgamento, os trabalhos devem se estender por cerca de mais uma semana até a definição do veredicto.
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Henry Borel
Jornal Nacional/ Reprodução